Amor eterno...

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sábado, março 13, 2010

Uma das coisas que gosto

no facto de trabalhar num sítio pequenino é aquela sensação de se estar em casa.
É muito bom sair do carro, dirigir-me ao trabalho e dizer um "bom dia" alegre a toda a gente que encontro no meu caminho.

Quando era bem pequenina, ensinaram-me isso como uma das regras básicas da boa educação. Quando ia de casa da minha avó para casa da minha tia, apenas a uns quarteirões de distância, do alto dos meus 5 ou 6 anos saía um "bom dia" em voz infantil, a que toda a gente respondia de bom humor. Era bom, fazia-me sentir integrada e protegida.

Depois cresci.

Mudei de cidade, para uma cidade maior, e esse "bom dia" espontâneo começou a perder-se. Eu passava pelas pessoas na rua, dizia um bom dia, e olhavam para mim como se eu viesse de Marte.

Mais tarde, pior ainda.

Fui para a Universidade e aí olhavam-me como se eu viesse de Plutão!!

Mas hábitos antigos nunca se perdem. Mal ou bem, um "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite" continuava a sair da minha boca, dirigido a qualquer pessoa com quem eu me cruzasse. (Ok, a excepção é em Lisboa, e é por isso que cidades grandes me fazem confusão, é uma aculturação completa, por muitas pessoas que haja, vivem todas numa solidão tremenda, ninguém se conhece... é a des-socialização completa do indivíduo).

Hoje em dia trabalho numa cidadezinha pequena, num dos concelhos mais pobres de Portugal.

Mas pobre só em termos de dinheiro.

Porque riquíssimo no valor das pessoas.
E vejo-me assim, anos depois, a voltar a dizer "bom dia" ou "boa tarde" a toda a gente que encontro na rua, sem medos de ser vista como um alien qualquer. E toda a gente me responde "bom dia menina" ou "boa tarde menina".

E é bom!

Lembra-me a minha infância.

Dito isto...

Boa tarde a todos vocês!!

"Noscete ipsum"

Rascunhos antigos