Amor eterno...

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segunda-feira, outubro 17, 2011

Diário da noiva recém-casada

Ou... do estado lindo das coisas no nosso país.

Lembram-se da situação que contei acerca do meu casamento?
Daquela boca linda que o padre nos mandou no final, "agora paguem"?

Imaginem o que é. Estão à secretária, a elaborar um post sobre o paraíso que a vida pode ser ao se beber um café e ouvir polifonia, com o telemóvel ao lado porque estão à espera de uma chamada.

Imaginaram?

Óptimo.

Agora acrescentem o seguinte elemento:

O computador começa a receber aquela interferência típica de quando um telefone vai tocar.

De repente o telefone toca e vocês, com o coração aos pulos, pensam "a chamada está a chegar! Amanhã vou trabalhar!"

Atendem e ouvem...

"Estou sim? Daqui fala da Igreja X. É para avisar que o senhor padre Y disse que têm o processo de casamento em dívida. Não pagaram!"

Ao que eu respondo: então mas se nunca ninguém nos disse quando ou quanto tínhamos que pagar, ao longo de todas as reuniões, nunca ninguém abriu a boca sobre o assunto, e ainda por cima depois da cerimónia ainda atiram com um "têm que pagar", o que é que havemos de pensar? Se na altura já se pagou qualquer coisa, como adivinhar que ainda havia mais dinheiro para largar?

"Os noivos não adivinham", digo eu. "Ah pois... se calhar deviam ter-vos avisado"...

Obrigadinha... Se calhar??? Pois, se calhar tinha dado jeito... só naquela...

É o que eu digo, tenho que mandar a minha bola de cristal a arranjar, pois está a deixar-me ficar mal em várias situações.

Ai bola de cristal, bola de cristal... porque não me mostraste mais estas dezenas de euros que eu agora, sem saber onde os desencantar, tenho que pagar?...

Paga, povo, paga!

(Sou muito crente, sim senhor, acredito em Deus e nos Seus mandamentos e ensinamentos. Só tenho mais dificuldade em acreditar nos Seus ministros...)

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"Nosce te ipsum"

quinta-feira, março 25, 2010

Não dá para ficar calada

Sou católica.
Mas não posso ficar calada perante certas notícias que se ouvem no jornal.
Nada de novo, verdade. Um padre abusador de crianças, desta feita, 200 jovens surdos.

Eu não entendo... se são padres... não deviam ter vocação? Adorar Deus antes de todas as coisas? Não magoar os outros? Ajudar os necessitados? Ajudar os pequeninos, pois aí está Deus? Em cada irmão pequeno que ajudamos?

Não posso deixar de criticar, peço desculpa mas não posso.

Atitudes destas claro que põem em cheque a Igreja. Ou deveria dizer igreja, sem letra maiúscula? Porque me recuso a acreditar que católicos (???) como este padre formem a Igreja, o Corpo Místico de Deus, os seus membros.

Ou se formam, eu não me identifico com essa Igreja.

A igreja com que me identifico é uma igreja de amor, de perdão, de ajuda.

Cada vez menos acredito em padres. Cada vez menos acredito no que dizem. Conheço talvez 2 padres que o são por pura vocação, e nesses acredito. Quanto aos outros... poupem-me!

Sou católica apostólica romana, sim, mas também tenho cabeça, e penso cada vez mais que aquilo que nos dizem na Missa, aquilo que nos têm dito ao longo de séculos e séculos não passa de uma igreja formada pelos homens, uma igreja masculina, meramente masculina porque a mulher é um elemento perigoso. Até a história de Adão e Eva nos apresenta, mulheres, como a fonte de todo o mal no mundo. Até que ponto é mesmo isso que Deus pensa? Até que ponto Ele acredita mesmo que nós somos inferiores? Até que ponto a sociedade se infiltrou na Igreja? Não sei... sei que acredito em Deus, em Jesus como seu filho, no Espírito Santo. Acredito. Não consigo não acreditar. Não me peçam para justificar. Como St. Inacio de Loyola diz, para quem crê, nenhuma explicação é necessária e para quem não crê nenhuma é necessária.

Agora o que não acredito é que seja por amor a este Deus que "padres" abusam de crianças. Abusam da confiança que toda uma comunidade deposita neles. Abusam do seu poder. Abusam de algo que deviam por ao serviço dos outros e nunca, nunca!, ao seu próprio serviço.

Se é esta a Igreja a que pertenço...

Já anteriormente a Igreja errou, sim, eu sei. Muitos crimes foram cometidos por ela. Basta que nos lembremos da Inquisição.

Mas é por factos destes que eu digo... acredito em Deus e nos Seus mandamentos... mas cada vez acredito menos nestas igrejas que nos querem reger e controlar o pensamento. Por vezes dá ideia que têm medo dos fiéis que pensam... e tenho pena disso. Não é por pensar que vou acreditar menos em Deus... ou no Seu amor... ou no Seu perdão... acredito menos sim em que sou filha do pecado, ou que não valho nada, ou que tudo o que faço é pecado. Não sei se me estou a explicar bem...

Acredito que Deus está em todo o lado, na Natureza, no campo, na cidade, no mar, na montanha, ele é jovem, velho, criança, homem, mulher... Se Ele é um todo, como dizer que é apenas masculino? É um Espírito de alegria, de Perdão, de Festa... e não um Deus que castiga e que está sempre a olhar para cima de nós e a apontar o dedo e a dizer "o que quer que faças, pecas, é mais forte que tu porque és humano"...

Entendem onde quero chegar?

Oh, como queria conseguir pôr por palavras o que penso...

Só sei que padres como este, que abusou de 200 crianças, não pertencem DE CERTEZA à mesma igreja que eu... adoram um deus muito próprio deles... um deus mau... e isso enche-me de tristeza, porque sei que Deus não é assim...




"Nosce te ipsum"

Rascunhos antigos