Amor eterno...

Lilypie First Birthday tickers

quarta-feira, setembro 29, 2010

E sabemos que fazemos bem o nosso trabalho quando...

Ao fim de 90 minutos com um aluno de 11 anos ele ainda nos pede mais tempo de aula, triste porque tem que se ir embora, mas contente porque leva um programão do tamanho deste mundo e do outro! lol...

Love you, my students!

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"Nosce te ipsum"

terça-feira, setembro 28, 2010

Porque sonhar é o mais importante!

Às vezes, a vida parece dar muitas voltas. Podemos desesperar, trabalhar num sítio que não nos diz nada, detestar o que fazemos.
Podemos pensar que estamos encalhados.
Podemos sentir que não conseguimos alcançar os nossos sonhos ou objectivos.
Durante muito muito tempo senti-me assim, quer por me terem dito que era uma incapaz a tocar piano (e hoje penso como raio fui acreditar nisso!!...), quer por ter trabalhado em algo que sabia não ter sido talhado para mim.
É muito fácil dizer "com a crise, o mais importante é garantir um futuro certo", mas... há coisas que o dinheiro não paga, e a minha saúde e a minha felicidade são duas delas.
A minha vida deu uma grande volta desde Julho.
Nunca deixei de sonhar, nunca deixei de acreditar. "Maktub", estava escrito.
Estava escrito que eu não estaria pronta mental e psicologicamente para aceitar o meu novo trabalho antes desta altura.
Foi preciso amadurecer, sofrer e crescer para que finalmente o Destino colocasse isto no meu caminho.
Estava escrito que todas as propostas anteriores que não se concretizaram tinham qualquer coisa que não as tornavam apropriadas para mim, ainda que na altura me tivesse custado muito.
O que tem que nos acontecer, acontece. Sim, nós fazemos o nosso destino, mas só até certo ponto. Há que esperar a altura certa para tudo, e acreditar que se não acontece antes, ou como nós queríamos, é porque há uma razão válida para tal.
Hoje estou feliz. Mesmo.
Estou no emprego dos meus sonhos, e o que ganho a menos em relação ao emprego anterior acaba por não ter importância, visto ser a despesa que eu tinha em medicação específica.
Estou feliz, acordo todos os dias e dou graças a Deus por me ter dado coragem de ter seguido o meu coração e o meu caminho; dou graças por ter uma Mãe que sempre me apoiou e me disse que o mais importante não é o dinheiro, é a felicidade, e que se eu não fosse feliz ninguém teria a capacidade de o ser por mim.
Acordo todos os dias e dou graças a Deus por tudo o que me rodeia, a casa que arranjei, a família que tenho, o noivo com quem vou casar.
A vida deixou de ser cinzenta, baça, e sinto-me bem.
Adoro ensinar e dar aulas. Sei que nasci para isso. Não sinto o tempo passar, adoro os meus alunos, e eles são esforçados. Podem não querer seguir música, mas são super educados e trabalham, têm sentido de responsabilidade, incluindo os mais pequenos. Sei que posso puxar por eles, dar-lhes boas bases. Mesmo que não sigam piano, saberão sempre tocar algo. Terei contribuído para a sua cultura. Nada me poderia deixar mais feliz.
E depois é tão bom ouvir frases como "estou tão contente por ser você a minha professora", ou "eu vou fazer um bolo e a professora vai lá a casa comer uma fatia"...
São pequeninas frases mas que valem mais que milhares de euros por mês.
Como não ser feliz??
Como não sonhar e lutar pelo que realmente queremos e seguir sempre o nosso coração?
Eu lutei, e segui o meu sonho. Agora vou aproveitá-lo!

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"Nosce te ipsum"

sábado, setembro 25, 2010

Quanto mais se pensa...

...menos se acerta.

Por isso hoje, de rajada, comprei um violoncelo, inscrevi-me numa escola de música e de hoje a 15 dias começo a ter aulas! :D :D :D :D :D


33 euros ANUAIS, oferecem as fotocópias, tenho uma hora semanal de aula... comprei um bom violoncelo, com o dinheiro do meu tio Joaquim. Desde que ele morreu que o dinheiro está reservado.

De maneira que é assim... em Espanha aprendi música, em Espanha aprenderei um novo instrumento.

Estou desejando que chegue!!







"Nosce te ipsum"

sexta-feira, setembro 24, 2010

Já arranjei muito bem tudo quanto convém

P'ra nova casa levar...
O tabuleiro, a manta,
Os tachos e panelas
Que não vou queimar

Enfim.
Andei em arrumações para me mudar para o novo ninho no domingo, em que vou com os meus pais tratar das mudanças.
Confesso que estou entusiasmada por ter um cantinho a que chamar meu (se bem que não é bem meu mas sim alugado, mas isso não interessa nada). É liiiiinda a casa. Tem uma cozinha toda moderna, uma sala grande, o quarto tem boa mobília... Vai ser preciso apertar o cinto, mas sei que vai valer a pena.

A primeira semana de aulas foi a bombar.

Tenho que realçar a experiência única de ter dado aulas a uma menina adorável, com trissomia 21. Percebi o que é a integração social destas crianças tão especiais, pois para mim é uma aluna como outra qualquer. Não, minto, é uma aluna mais empenhada, com mais atenção e com mais força de vontade que outros que tenho. Diz que adora música e eu já sou fã dela. Incrível incrível foi vê-la ajudar a colega de aula (porque agora têm de ter 90 minutos de aula em conjunto, em vez de 50 individuais) a aprender a colocar as mãos no teclado. Foi lindo... e eu que sou uma lamechas fiquei logo tocada.

Tenho mais duas meninas muito empenhadas, acho que vou poder fazer um bom trabalho com elas, tal como outra menina da iniciação que vem muito bem preparada do professor anterior (obrigada P.D.!!).

Quanto aos outros alunos, ainda não sei. É preciso mais tempo para ver e perceber o que posso fazer com eles. Há uma (ou possivelmente 2) que não estão muito para ali virados, mas até é bom. É um desafio para mim ver se os consigo motivar minimamente para o piano.

É bom trabalhar assim. Com prazer, com dedicação. Quando trabalho, quando estou com os miúdos, quando estou a ensinar, tudo o resto desaparece. É uma benção durante algumas horas do dia não pensar ou não sentir problemas.

Agora resta-me esperar pelos resultados da pós-graduação =) Mas estou com confiança. Acima de tudo é necessário ter esperança.

Pode haver ventos de tempestade, mas após dela, virá sempre a bonança.

Paz =)





"Nosce te ipsum"

quarta-feira, setembro 22, 2010

Posso ser extremamente ingénua

e não perceber nada de nada de política, relações diplomáticas, orçamentos de estado, e afins.
Mas cada vez mais tenho uma vontade inexplicável de me filiar em algum sítio que me permita, junto de outros cidadãos, lutar por este país que é Portugal.
Durante muito tempo pensei emigrar. Realmente as coisas cá estão tão más... mas se todos emigrarmos, isto fica tudo entregue à classe política vergonhosa que actualmente temos...

Não sei... quero lutar por este que é o meu país, esta que é a minha pátria, mas não sei como o fazer!





"Nosce te ipsum"

terça-feira, setembro 21, 2010

Há coisas que magoam muito mais do que julgamos alguma vez humanamente possível... e há castigos demasiado pesados para certos erros. Aprendi que mais vale confrontar sempre com a verdade do que tentar equilibrar mil coisas em duas mãos. Porque quando caem, caem de vez e partem-nos por dentro. Uma vez partidos por dentro, é muito difícil recuperar...





"Nosce te ipsum"

sexta-feira, setembro 17, 2010

Se calhar sou eu que sou estranha...

Mas há atitudes que eu não consigo entender.
Se uma casa tem 2 portas de entrada, qual o problema de emprestar a chave de uma delas durante menos de 24h a quem precisa?... Que eu saiba, não se usam 2 portas ao mesmo tempo... mas isso sou só eu...



"Nosce te ipsum"

Dia negro

Tenho impressão de que hoje, se alguém me diz algo, por mais ínfimo que seja, que não me agrade, mando tudo às pitas, pego numa mochila e bazo. Assim pro polo norte. Ou para o sul. Onde existirem ursos polares com quem possa ter uma pequena luta e descarregar todo o stress.

É isso ou ir para o meio do campo gritar até esvaziar os pulmões e rebentar as artérias.

Sim, estou de mau humor.

Mas até tem o seu lado positivo, consegui enviar uma resposta com o nível adequado de agressividade a um email no mínimo estúpido que me enviaram "por encomenda". Eu não sou agressiva, mas a pessoa merecia, e por felicidade (ou infelicidade) do destino abri a conta de email hoje, vi, e respondi na hora. Foi tipo acção reacção. Se larguei uma bomba? I don't care. I'm the best, **** the rest. Outra bomba vai ser lançada dentro de dias, uma carta que ando a ganhar coragem há meses para escrever. Tenho impressão que com o humor com que estou é mesmo hoje.

Noutra nota... next week... very very very cansativa. A casa que aluguei só está disponível a partir de 24, por isso vão ser 4 dias de ida e volta para Castro. 260 km por dia. Quem corre por gosto pode não cansar, mas tem de pagar gasóleo à mesma...

*suspiro*...





"Nosce te ipsum"

quarta-feira, setembro 15, 2010

Minha gente!!!

Só para avisar que não morri nem emigrei nem fui raptada por et's.
Simplesmente Agosto foi... alucinante!... não tive tempo para pensar sequer, e não foi pelas férias, foi por todo o trabalho que houve em casa...
Algumas novidades, em jeito de tópico, e prometo que mais dia menos dia, com tempo, faço um relato completo de tudo de novo o que se passa pela minha vida! (até já vos consigo ouvir a pensar "oh não, logo agora que pensávamos que nos tínhamos livrado dela...).

Trabalho: Mudei. Sei que foi uma loucura rescindir contrato nesta altura de crise, mas acredito que tenho um anjo protector que não deixa que nada me corra mal. Consegui um contrato NAS MESMAS CONDIÇÕES a fazer o que realmente gosto, em Castro Verde: dar aulas de piano. Vou seguir o meu sonho (para estupefacção geral de muita gente que pensava que eu era "inválida". Ai que prazer esfregar-lhes isto na cara!!!). Vou amanhã marcar horários e consoante estes, a minha primeira aula será ou já esta sexta ou na próxima segunda (aponto mais para segunda lol).

Casa: Ui! Muito muito muito trabalho de arrumação, reparação, e por aí fora. Converti-me ao crochet, o que também não ajuda muito a vir aqui deixar umas palavras. Descobri que relaxo imenso quando faço crochet, e que a minha mente acalma. Vou começar uma toalha, depois de ter feito dois naperons que bem giros ficaram. Também andei numa de pintar a parte exterior da casa (conselho... não o tentem fazer enquanto falam ao telemóvel com a vossa cara metade... é que quando derem por vocês estão todos pintalgados de tinta branca!!!!)

Estudos: como eu não fui feita para parar de estudar, concorri a uma pós-graduação em ensino vocacional da música (a ver se fico menos "inválida", amiga O.!). Vamos lá ver quando saem os resultados, mas estou confiante.

Casamento: Marcado para 23 de Julho de 2011!!! :D :D :D :D :D :D Ainda nem acredito. O vestido já está praticamente feito (sim, vai ser um modelo exclusivo, feito unicamente para mim, ah pois é, ter uma Mamã que faz maravilhas com costura dá nisto!) e os sapatos também já foram comprados. Vai tudo de vento em popa!

A sério que agora não tenho muito tempo... estou ansiosa por que as aulas comecem, mas isso implica uma data de preparação prévia, por isso... fui! Assim que conseguir venho cá deixar-vos as minhas primeiras impressões!

Beijinhos e Paz para todos!!!



"Nosce te ipsum"

terça-feira, agosto 03, 2010

Partindo de Sequeira Costa...

No outro dia tive a oportunidade de ver (embora não completa, já que estava a morrer de sono) uma entrevista a esse grande mestre que é Sequeira Costa. Adorei.

No entanto, houve algo que ele me disse que ficou a "macucar" cá dentro do meu cérebro.

Já não sei transcrever com exactidão as suas palavras, mas referiam-se aos concursos de piano, e sintetizando, a sua mensagem era de que os concursos de piano, actualmente, estão todos viciados, comprados, corrompidos. Daí que no concurso de que ele é presidente há MÚSICOS e não pianistas. (Devo no entanto dizer que isso também não é garantia de nada...)

Infelizmente, sei que é verdade. Digo infelizmente porque a Arte é algo tão belo que deveria ser impossível corrompê-la. Deveria ser impossível membros do júri deixarem-se comprar sabe-se lá por que preço. São pessoas ligadas à música, ao piano, a algo que é belo e puro... daí que eu não goste de concursos.

No entanto, como os leitores que têm a paciência de andar por aqui a ler os meus desvarios sabem, tenho uma pequena (já não tão pequena, mas pronto) irmã que desde os 8 anos anda em concursos, por isso tenho uma visão "interior" do que se passa. E não é bonito...

Se me lembrar do primeiro concurso dela, onde ganhou o 1º prémio, nada há a apontar. Talvez por ter sido o primeiro, talvez por eu não saber exactamente o que era um concurso, etc etc etc. Nada a apontar salvo seja. A amiga O. resolveu que não valia a pena trabalhar com ela para a final, porque aos 8 anos a minha irmã cometeu o "crime" de dizer que ainda não sabia se queria ser pianista profissional. Logo, não vale a pena trabalhar com ela para uma final. Hoje só tenho a agradecer esse facto, já que me deu a oportunidade de trabalhar com a J. a sério e vê-la ganhar o primeiro prémio com unanimidade do júri.

Muitos concursos têm passado pelas suas mãos. Muitos mesmo. Portugal, Espanha, Bélgica, França, Marrocos...

De todos estes, curiosamente, o que pior impressão me deixou foi o da própria escola onde ela estuda...

Que me dizem se eu vos disser que nesse "concurso" as regras são feitas de acordo com quem certas pessoas querem que ganhe o primeiro prémio?

Querem um exemplo?

Há dois anos, uma certa rapariga (de quem eu já falei aqui, e que dá pelo nome de KGB, ou A., ou Federação Russa, tanto faz, escolham) tinha 17 anos. Logo, a primeira categoria era ATÉ aos 17 anos. Portanto, dos 6/7, quando as crianças começam a participar, ATÉ aos 17. Isto quando normalmente as categorias são de 2 em 2 anos, para manter tudo mais ou menos dentro do mesmo nível. Se um concorrente quiser participar numa categoria superior (como a minha irmã fez em Marrocos, onde em 2 categorias arrecadou 3 prémios, incluindo o de melhor intérprete na peça à escolha), fá-lo à sua responsabilidade.

Dois anos depois...

Querem adivinhar qual o limite da 1ª categoria?

Portanto... 17 + 2 = 19.

Exacto. De 17 para 19. Agora... pensemos... quem é que há 2 anos tinha 17 anos e ganhou o 1º prémio, deixando uma rapariga coreana de 12 anos com um programa do tamanho deste mundo e do outro com o 2º? Exacto, A., tu. E sabes tão bem quanto eu que esse prémio é falso, quem o merecia era a menina de 12 anos, que tocava deixando-te a um canto... Sabes, chateaste-me tanto tempo que agora deixo isto sair tudo cá para fora. Eu avisei-te que não sabias com quem te metias. Quiseste brincar, fazer chantagem, contar o que não devias a quem nada tinha a ver comigo para depois ser a minha J. a apanhar, agora... temos pena. Aprendi com a I. a ter uma "veia viperino-literária".

E quem é que este ano tinha 19 anos, concorrendo assim na mesma 1ª categoria? A resposta é tão fácil que quase não vale a pena dá-la... claro que "ganhou" mais um primeiro prémio.

Estas coisas revoltam e muito. Quem está de fora, não se apercebe delas, mas eu, que estou dentro, que ensino música, que em Setembro serei professora em Castro Verde (KGB, apressa-te a transmitir a informação!!!), a mim estas coisas entristecem-me. Há pessoas tão válidas em concursos. É preciso uma coragem enorme para ir tocar perante um júri que está atento a tudo, e depois... depois vê-se e sente-se na pele estas injustiças.

Mas há uma coisa chamada karma. Ou destino. Ou ainda um provérbio que diz que escreve Deus direito por linhas tortas.

O que me alegra no meio disto tudo é que este ano o descalabro foi tão grande que até quem estava de fora se apercebeu que foi tudo montado para atribuir o 1º prémio a uma determinada pessoa. A consequência? O dito concurso já anda nas bocas de todas as escolas de música, conservatórios, escolas superiores.

Quem brinca com o fogo queima-se. E ainda que não se tenham dado conta, este ano esticaram-se demasiado. Há consequências, e uma delas é que um concurso que no início até tinha qualidade está completamente destruído.

Uma salva de palmas à "gerência" do concurso e da dita escola de música. É que em termos de imagem e credibilidade.... estão arruinados.

A confiança leva anos a construir... e um segundo a perder-se. E uma vez perdida... perdida está...



"Nosce te ipsum"

terça-feira, julho 20, 2010

One day I'll fly away

É a canção que marca o dia de hoje.
Finalmente.







"Nosce te ipsum"

segunda-feira, julho 19, 2010

Chopin - Nocturno op. 9 nº 2 by Rita Faleiro

Chopin - Nocturno op. 9 nº 2 by Rita Faleiro




"Nosce te ipsum"

Chopin - nocturno op. 27 nº 1 by Rita Faleiro

Chopin - nocturno op. 27 nº 1 by Rita Faleiro




"Nosce te ipsum"

Nocturno op. 32 nº 1 - Chopin by Rita Faleiro

Nocturno op. 32 nº 1 - Chopin by Rita Faleiro




"Nosce te ipsum"

John Cage - In a Landscape by Rita Faleiro

John Cage - In a Landscape by Rita Faleiro




"Nosce te ipsum"

Toccata BWV 913 em ré menor - J.S.Bach by Rita Faleiro

Toccata BWV 913 em ré menor - J.S.Bach by Rita Faleiro




"Nosce te ipsum"

A rapariga que sonhava com pianos e que se licenciou

Era uma vez uma jovem mulher. O seu nome não interessa, chamemos-lhe R. Um dia, a R. acordou e viu que a amiga cegonha lhe tinha deixado uma bebé linda linda linda ao lado.



Assim que olhou para ela, soube que também a teria que chamar R., porque eram iguais, tirando a diferença de idade. A primeira R. é a minha Mãe.
Ora bem, a R-Mãe olhou para os olhos da R-filha e viu neles música a correr e pensou "esta menina tem mesmo que tocar algo". Mas como no sítio onde moravam não havia muita escolha, a R-Filha começou a estudar particularmente piano. Aos 3 anos, recebeu o seu primeiro teclado, vermelho, com duas oitavas. Que feliz fiquei nesse natal!



A sua primeira audição foi aos 5 anitos, "old macdonalds had a farm", se bem me recordo. Estava tão nervosa!!
Para além de ser a minha primeira audição, era eu a abri-la. Nem sabia onde estava o dó central! (lamentavelmente, não consegui encontrar a fotografia dessa audição... prometo que se um dia a encontrar, a coloco aqui!!).

Quando era um pouquinho mais velhita, tive que vir morar com a minha mãe para o Algarve. Como ali não havia professores (fomos para uma pequena vila), fui estudar para Espanha, com Juan Carlos Cañada. Aprendi que me fartei, tocava, todas as semanas tinha uma peça nova. Adorei mesmo. Ele sabia ensinar e sabia lidar com crianças, ainda para mais uma criança de 7 ou 8 anos que não falava a mesma língua que ele. Os meus esforços recompensaram, e fui a outra audição. Desta vez, toquei Schumann, "O pequeno cavaleiro".



Que nervosismo! Mas pelo que me recordo, saí-me bem =)

Até aqui tudo bem.
Aos 10 anos, nasceu o meu nenuco vivo, a minha maninha, a minha macaquinha, e tornava-se difícil estar a ir para Espanha com um bebé de meses, até porque toda a gente sabe que, se é verdade que os espanhóis são excelentes com futebol, o mesmo já não se pode dizer das horas... enfim, tive que deixar Espanha.
Começou então uma luta desenfreada por parte da minha mãe para eu poder entrar para o Conservatório Regional do Algarve Maria Campina. Sim, hoje é para esvaziar o saco. Andou cheio muito tempo, e é tempo de eu dizer tudo o que há para dizer.

A primeira história gira deste conservatório é a seguinte:

Mãe - "Queria fazer a pré-inscrição da minha filha"
Funcionária - "Ah, é só no dia tal".

Véspera do dia tal:

M. - "Vinha saber das pré-inscrições"
F. - "Só amanhã"

Dia seguinte:

M. - "Venho fazer as pré-inscrição da minha filha"
F. - "Ah, lamentamos, acabaram ontem".

Sim, é verídico... a minha mãe também lamentou. Lamentou tanto que foi uma carta para a direcção regional de educação do algarve. Entrei logo! Incrível o que uma carta faz, hein?

Ora bem, fui colocada no 2º grau de formação musical, graças a tudo o que tinha aprendido em Espanha, e no primeiro de piano (apesar de estar mais adiantada...).
Tive uma professora (paz à sua alma, que coitada já morreu) que todas as aulas me massacrava para eu ir à secretaria confirmar se estava mesmo no 2º grau, e que todas as aulas nos "lavava" a cabeça, dizendo que "no tempo do Salazar é que era, e que ele devia voltar". Estão a perceber o estilo... boa senhora, sim, mas... enquanto professora... pronto, fiquemos por aí.


No ano seguinte, passei para outra professora de piano. Chamemos-lhe IA. Ela sabe quem é. Digamos que é (seria??) boa pessoa... mas terrível professora. Sabem aqueles professores que vocês sentem que estão a tocar com dificuldades, e que podiam dar mais, mas eles só dizem "está muito bem, parabéns"? Assim foi até acabar o 5º grau... ela pôs-me a ter aulas particulares com o marido dela, Johann Jansonius, o melhor professor que tive até hoje. Ele fazia-me sentir uma verdadeira música. Tinha dois pianos na sala onde me dava aulas, em casa dele, e eu até podia estar a tocar a coisa mais básica do mundo, como "as pombinhas da catarina", que ele arranjada de improviso uma introdução orquestral no outro piano, um acompanhamento à minha melodia e uma terminação. Transformava as pombinhas num autêntico concerto para piano e orquestra. Foi aí que eu comecei a AMAR a música. Eu já gostava de tocar, mas não passava disso... aos 15 anos, ele disse-me "porque não pensas em seguir música? Tu adoras tocar, estudas, tens jeito... pensa nisso". E foi nesse momento que eu decidi que queria ser não pianista mas professora de piano. Queria ser um décimo do que o Johann era.
Nessa altura, comecei a pedir à minha mãe que me mudasse de professora. Eu queria evoluir mais, sentia que tinha muito mais para dar, mas ela achou melhor eu acabar o primeiro ciclo (para quem não sabe, vai até ao 5º grau) com a IA. Apenas para não haver confusão. Na altura não percebi, mas hoje, sabendo a verdadeira pessoa que ela é, agradeço. A minha mãe tem um sexto sentido que nunca se engana.
Enfim, seja como for, no 5º grau, a cerca de um ou dois meses do exame, já não tenho a certeza, mudei para uma "professora". OA. Federação Russa, finalmente tens aqui as notícias que tanto querias!

Esta "professora" fez-me evoluir bastante no início. Reconheço. Mas quando se apercebeu de que eu queria mesmo seguir piano, e como no entender dela apenas os génios de raças superiores merecem tal honra, começou a brindar-me com elogios (que duraram 8 anos... devo ser masoquista, ou algo no género...) no género dos seguintes:
  • "tocas uma m***a"
  • "fazes Bach parecer um travesti"
  • "pareces um elefante a dançar em cima do gelo"
  • "és uma inválida ao piano"
  • "nunca conseguirás estudar nem tocar piano"
  • "nunca conseguirás entrar para o curso superior"
  • "não vais aprender nada no superior, tens muita coisa para fazer lá e nunca serás capaz"
  • "és uma inválida, não prestas para nada no piano"
  • "não sabes nem nunca saberás tocar"
  • "não tens técnica"
Coisas assim simpáticas... Isto foi decorrendo durante anos, porque eu não arranjava alternativa de professora, mas comecei a sentir-me a estagnar e não a evoluir como queria. Entretanto, entrei para a Universidade. Como sou lutadora, e sabia que queria música, preparei-me sozinha para entrar em Música. Digamos que de 72 candidatos, fiquei em 3º lugar. Nada mau, hein? Conjugar isto com o 12º... não foi fácil. Mas se houve coisa que a minha mãe sempre me ensinou, foi a lutar pelo que queria, e Música era, foi, e será sempre a minha paixão. Não consegui entrar em piano, mas tudo bem, ainda não tinha nível e sei reconhecer isso. Entrei em História e Teoria da Música, só que na altura, não era bem o que eu queria , e além disso o curso estava extremamente mal organizado. Formei-me então em Arqueologia, nunca deixando de tocar por mim.


















Continuei entretanto a ter aulas com a OA. Cada vez me tratava pior, cada vez trabalhava menos comigo. Mas como disse, não havia alternativa. Quando acabei o meu estágio curricular, decidi acabar o 8º grau do conservatório, o 8º grau de piano. Trabalhei que nem uma doida, comecei a estudar 7 e 8 horas por dia. O resultado? Dois braços com tendinites e em gesso. E eu a poucos meses do exame final do conservatório. Quando finalmente tirei o gesso, voltei a atacar o piano. Eu mando em mim, não o meu corpo. Montei o repertório todo de Fevereiro a Junho. Mas aparentemente a OA não acreditou na tendinite. O que é irónico, tendo em conta que foi ela quem ma detectou... adiante. Todos os anos fazia no CRAMC uma audição de carnaval, em que os alunos tocavam mascarados, e eu nunca tinha participado. Tinha o braço direito engessado, mas uma das minhas peças de exame era um prelúdio apenas para a mão esquerda de Scriabin. Pois a senhora OA obrigou-me a ir mascarada apenas para chegar lá e com ar de gozo dizer "não estás a pensar que vais tocar essa m*, pois não?". Juro-vos... doeu, magoou, chorei. Mas não lhe dei o gozo de desistir.

No verão, arranjei trabalho numa empresa de Arqueologia, a AES. Comecei a trabalhar em Faro e a preparar-me para entrar em Setembro, nas vagas para licenciados, em Piano, na UE.


Foi um verão duro. Trabalhar numa empresa de arqueologia é mais difícil do que eu pensava, e o trabalho que estava a fazer não era propriamente dos mais interessantes... era acompanhar a abertura de valas, pelo que o meu horário dependia muito de quantas horas por dia eles estivessem a abrir valas.

Na 5ªfeira antes das minhas provas de acesso, trabalhei 8h debaixo de um sol escaldante. Estávamos em finais de Agosto, e foi um dia duro, em que eles não pararam de abrir valas e eu não me sentei o dia todo. O meu tio tinha morrido há exactamente uma semana e a minha cadelinha, a minha Yasmin, de quem já falei neste blog, tinha ido para o veterinário. Eu estava cansada, exausta, transpirada, a precisar de um banho, e ainda ia ter a última aula. Pedi à OA que me deixasse pelo menos ir à casa de banho trocar de roupa para algo mais leve, passar água na cara e trocar de sapatos. Como podem ver na foto, estar vestida e calçada assim não é a melhor maneira de se ir ter aula, sobretudo depois de 8h em pé... resposta: "nem penses, estás atrasada, não quero saber de mentiras, vais já para o piano, quem julgas que és, ainda por cima está cá outro professor para te ouvir" etc etc etc. Aos gritos, e eu tão cansada que não conseguia reagir, literalmente. Como hão de calcular, não consegui tocar nada. Estava estafada. Ouvi uma descompustura de todo o tamanho, que ela não sabia o que eu ia fazer a Évora, que nunca conseguiria entrar, que nunca faria nada do piano, que era uma inútil. Inútil foi tentar fazê-la perceber que depois de 8h nas condições em que eu estava, era impossível começar a tocar sem parar pelo menos 10 minutos.... paciência, ao que parece há gente de compreensão lenta e humanidade reduzida.

Ao longo dessas aulas no Verão, comecei a ouvir umas bocas estranhas, do género "ah, e tu escreves isto e aquilo no teu blog". Mas nunca me ocorreu pensar em como ela saberia que eu tinha um blog... até que... FIAT LUX! A A. Só podia, e fui burra em não ter percebido antes. Imaginem uma pessoa que vos usa sempre que precisa, e quando já não precisa, amachuca e deita fora. Fez isso comigo, com a minha irmã, com os meus pais, e ou muito me engano ou fará isso com o namorado, que estuda piano na Rússia, é dez vezes melhor que ela e de quem ela ainda tem coragem de falar mal, dizendo que o seu som é "sujo" e que "apenas toca mais ou menos". Ups, A., desculpa, não era para dizer? Temos pena! Também as coisas que eu escrevia aqui não eram para ires enfiar num certo sítio... conheces a lei de Talião? Um olho por um olho, um dente por um dente. Minha queria, eu não sou vingativa, mas quem mas faz, paga-mas. A Federação Russa, que há anos espiolha o meu blog para ir fazer queixas de mim à OA, não passa de ti e do teu P., que estuda curiosamente em Moscovo, de onde consulta o meu blog. É chato, não é? Ter a mania da perseguição, querer saber o que dizem de nós, se falam de nós... Minha querida, já o disse por meias palavras, digo-to agora, e a ti também, P., porque estás a ser usado, e o pior é que nem te dás conta. Já vos topei há muito. Federação Russa, Ucrânia, KGB, perseguições... vocês querem saber tudo, mas esquecem-se que eu tenho uma vida própria, e não faz parte dos meus hábitos sequer PENSAR em vocês... Por isso, A., P., e OA, continuem a vir. Eu estarei cá sempre a defender o que digo, mas também a mostrar que não sou tão atrasada mental nem de uma raça tão inferior como vocês julgam.

Chego então a Évora, a Piano.



Fui cheia de sonhos... mas se eu já me sentia estagnada antes, que dizer do que se passou ao longo destes três anos? Estrgnei ainda mais... mas ganhei uma coisa fantástica. A capacidade de ser autodidata. A capacidade de aprender a partir do Youtube. A capacidade de ser "matreira como gatos e ratos". Aprendi muuuuuuuuito. "Está muito bem, não faz falta nada". Não interessa... podia desmascarar muitas situações. Como por exemplo, "não tenho culpa que os feriados calhem à 3ªfeira", "não vou inventar horas de aulas", "não vou dizer nada porque você sabe tudo", "musicalmente não fez nada", "musicalmente tem coisas muito muito muito boas". Há tantas, tantas, tantas... acumulei tantas coisas durante três anos, e só pensava que quando fizesse exame ia poder despejar o saco. Fi-lo; não completamente visto que o senhor deu costas e foi-se embora, deixando-me a falar sozinha na rua. Estamos entregues à bicharada! Entretanto, ainda tive que ouvir que "tenho que repensar as minhas convicções musicais".

Meu caro senhor, ser músico é isto. Eu tenho umas convicções que não são as suas. Interpreto de maneira diferente da sua, porque a história da minha vida é diferente da sua. Isso não torna a minha música melhor nem pior que a sua. Torna-a minha. Pessoal e intransmissível. Torna-a o meu canal de expressão com o mundo.



Sei que sei fazer isto. É o que mais me importa. A sério.

Lutei muito estes 3 anos. Mas sou licenciada em Piano. Serei professora de Piano. Darei concertos. Serei feliz. E não será graças a si, nem à OA, nem à A., nem ao P.

Será graças à minha família e a quem sempre acreditou em mim.














 


























































"Nosce te ipsum"

Agradecimentos

Lembram-se disto?

Como já todos sabem, acabei na 4f a minha licenciatura. No entanto, antes de contar a história da "menina que sonhava com pianos" (para tentar ter tanto sucesso como o Stieg Larson), acho que é fundamental agradecer publicamente a umas quantas pessoas que sempre lá estiveram para mim no matter what...

Foi uma experiência bastante difícil tirar esta licenciatura como trabalhadora estudante. Como eu costumava dizer, morava numa cidade, estudava a 300 km de distância, trabalhava noutra vila e ainda ia almoçar a um quarto destino. Não foi fácil, e foram 3 anos de muita luta.

Muitas vezes pensei em desistir. Não sou feita de ferro... por muito que quisesse, não sou a super mulher, e fazer tanta coisa ao mesmo tempo cansa. Quando nos levantamos às 7 da manhã e só conseguimos pegar no instrumento às 18h... acreditem que não é fácil ter cabeça para pegar com o respeito devido em Brahms, ou Bach, ou Ligeti, ou Franck, ou Ravel, ou seja quem for...

O que quero agradecer, e a quem quero agradecer aqui, é a todos aqueles que ao longo de 3 anos tornaram o sonho possível... e espero não me esquecer de ninguém... se o fizer, é pelo meu estado de cansaço e não por mal, acreditem.

  1. À minha querida, queridíssima, amadíssima e mais que fundamental Nai. Mãe, palavras não são precisas, e o teu ombro esteve sempre lá quando eu chorava desesperada, acreditando que não ia ser capaz. Tu me deste, como sempre ao longo de 25 anos e meio, força e capacidade de acreditar. E quando estava mais difícil, uma "bofetada psicológica" resolve muita coisa, e sem ti eu nunca teria conseguido esta segunda licenciatura. Torna-se difícil escrever num blog seguido por 49 pessoas tudo aquilo que te quero dizer, mas tu sabes o que é. Amo-te, és o pilar da minha vida, sempre me ensinaste a seguir os meus sonhos, sempre me ensinaste a ser íntegra, honesta, lutadora, estudiosa, honrada. Sem ti, Mãe, não seria um décimo da Mulher que sou hoje... que esta minha segunda licenciatura seja a ti dedicada de alma e coração é algo que tu nunca deves duvidar. Sem ti, ela não teria sido possível. Obrigada Mãe. Obrigada por me teres trazido a este mundo sabe Deus como, obrigada por teres estado sempre lá para mim, e obrigada por seres o meu pilar, sem o qual não sei sobreviver.
  2. Ao meu pai. Que se chama Mateus. Pai não é quem faz, meus amigos. Pai é quem, como o meu, me vai ver ao quarto quando eu tenho 12 anos e acordo aos gritos com um pesadelo e fica até às 4h da manhã ao meu lado, para me provar que não há nada errado no quarto, que ele não está cheio de aranhas. Pai é quem me leva ao cinema e apanha secas desgraçadas no carro enquanto eu vejo o filme. Pai é quem cria, quem se zanga quando na adolescência eu atravessava aquelas idades parvas em que achava que sabia tudo, Pai é quem ajuda a gerir o dinheiro, Pai é quem conversa connosco sobre como aparecem os bebés dos caezinhos quando nós temos apenas 10 anos, Pai é quem está sempre ao nosso lado, sorri, chora, e vive cada emoção nossa como se fosse dele. Sei que me aturaste muito... desde os meus 8 anos que lidas comigo, e eu tenho um feitiozinho do caneco... Por isso, Pai Mateus, esta licenciatura também te é dedicada porque sem ti ela também não teria sido possível... Amo-te!
  3. Macaquinha... que dizer de ti? És a minha irmã mais nova. Surgiste quando eu tinha 10 anos, e foste o meu nenuco vivo. Não sei como te consegui manter viva de todas as vezes que os pais te deixavam sozinha comigo. Dei-te banho, pus-te a bolsar, alimentei-te, mudei-te fraldas, adormeci-te, acordei-te, impliquei contigo, brinquei contigo... contigo cresci, e aprendi a ter paciência para certas atitudes pelas quais passei e que só quando te vi tê-las é que me apercebi que fazem parte do processo natural do crescimento... Hoje, para além de minha irmã, és uma das minhas melhores amigas. Posso conversar contigo de tudo. Sei que estás lá para mim quando estou com a neura, sabes que apenas preciso que estejas ao meu lado a ouvir-me enquanto choro baba e ranho sem que digas nada, e que depois me vás fazer o lanche enquanto eu adormeço, e depois tens de me acordar, e depois adormeço enquanto como o lanche que me fizeste com tanto amor, simplesmente porque estou esgotada... amo-te, maninha, macaquinha, pirralhinha, coisa feia e pequenita, amo-te muito, não há irmã que te ame mais que eu. E no final, quantas vezes te cravei para me ires virar páginas, ouvires o programa, dares opiniões, fazeres-me falar enquanto tocava coisas que tinham que estar mecanizadas para sairem bem... muito obrigada, J., porque sem ti, este sonho não teria sido possível.
  4. Amor... meu amor, meu namorado, meu noivo, meu marido, futuro pai dos meus filhos e guitarrista brilhante que és. Tu és aquele que sabe quando não dizer nada. Quando nem refilar quando eu começo a berrar porque simplesmente um cabelo não está onde devia. Tu és aquele que sabe quando preciso de um abraço, quando preciso que me acalmes, quando deves estar calado. És aquele que me ensina a converter as coisas em mp3 para eu poder por na net. És aquele a quem ligo, a dizer "eu nunca vou ser capaz" e tu me respondes, tal como a minha mãe, com uma "bofetada psicológica" que me faz re-assentar os pés na terra. Ouviste-me, criticaste-me positivamente, foste um músico e não um namorado ao meu lado, e isso fez-me crescer. És uma âncora à qual me agarro quando preciso, e sei que estarás sempre lá para mim. Desculpa o mau humor dos últimos dois meses... agora, tal como tu me dizias, tudo já passou e uma nova fase, de sonho, se abrirá para nós os dois. Obrigada por teres estado ao meu lado neste período tão complicado... Amo-te, E., muito muito muito, e tal como todas as outras pessoas a quem agradeci, sem ti, o sonho não teria passado disso mesmo. Um sonho.
  5. Não podia deixar de fora a minha tia, que foi minha avó, e a minha prima, que me aturaram todos os dias desde que comecei a trabalhar, e que me alimentaram, enchendo o prato até mais não, mesmo que eu não tivesse fome. Também vocês estiveram lá, e foram fundamentais para a concretização do meu sonho...
  6. Teresa Brandão e Mauro Dilema... os professores que me abriram novos horizontes e me mostraram novos caminhos, novas técnicas, e que sobretudo reconstruiram a minha auto-estima, que estava assim "um bocadinho" em baixo. Muito, muito, muito, muito, muito obrigada. Sem vocês teria sido praticamente (não, literalmente) impossível.
  7. A todos os meus amigos: Musicólogo, Joãozinho-quatro-oitavas, Aninhas-sopradora-do-pau-preto, Aninhas-violineira... Quantas conversas tive com vocês, quantas vezes me ouviram desabafar, quantos momentos excelentes levo de vocês agora que acabei Évora... As nossas conversas no msn, o trio maravilha por nós descortinado (benny, dudu, valley, ao qual ultimamente se acrescentou o bentas...)... vocês foram fundamentais, quando as coisas começaram a correr pior (e vocês sabem que é verdade), foi muito por vossa causa que eu fazia o esforço de ir a évora. Obrigada.
  8. Há-ao-cubo: obrigada pela aprendizagem que me proporcionaram. Finalmente consigo ter capacidade para descortinar quartos de tom!!! Ena ena ena!!! :p
  9. Por último, mas não sem a ENOOOOOOOORME importância que tem, a D. Fátima. Por tudo o que me aturou nestes 3 anos. Por todos os momentos de stress em que entrei na secretaria a chorar porque me expulsaram injustamente do auditório antes de um exame. Por todas as folhas de trabalhador estudante que me deu porque me esquecia de as imprimir em casa. Basicamente, obrigada por ser o pilar do Departamento... sem si, D. Fátima, aquilo caía... pode ter a certeza. E estou a dever-lhe uma flor. Nunca me esqueço das minhas dívidas. 
  10. A todos os leitores que me acompanham e que me desejaram sorte e força para o dia do exame. São "virtuais", não vos conheço... mas acreditem, em momentos de stress, qualquer força é bemvinda, qualquer força nos faz acreditar.

Obrigada mesmo a todos, e peço desculpa aos leitores por um post tão.... digno de um discurso dos Óscares, mas que raio de pessoa seria eu se não agradecesse publicamente a todos quanto me apoiaram, aturaram e ajudaram???




"Nosce te ipsum"

quinta-feira, julho 15, 2010

Está prometido

... que depois venho cá contar mais detalhes.
agora quero só deixar um recado:

Federação Russa e Ucrânia, um "gossip" só para vocês: ACABEI A LICENCIATURA.


Façam o que quiserem com esta informação.

Nada mal para quem era uma "atrasada mental" e "nunca faria nada no Superior".




"Nosce te ipsum"

terça-feira, julho 13, 2010

É amanhã.

E eu não sei como me sentir.

Sinto-me vazia. Como se ao fim de 20 anos sem parar de estudar, ainda nada tivesse aprendido.

Sinto-me vazia por abandonar esta vida de aprendizagem na universidade.

Ao mesmo tempo, sinto-me completa por ter atingido o meu sonho. Mas ainda não posso deitar foguetes. Antes é necessário passar aos dois exames. Das 9h às 10:20 não vou fazer outra coisa se não tocar, tocar, tocar e tentar convencer o júri (que entre outros integra "apenas" o Burmester e o Rosado..) que mereço passar.

Pessoalmente, sei que não atingi todos os meus objectivos, mas superei um muito grande: preparar dois exames num semestre. Isso garanto que não há muitos que consigam.

Estou cansada. Extenuada. Exausta.

Mas obrigo-me a pensar: faltam menos de 24h. Depois?

Acaba uma fase, começa outra.

E o futuro assusta-me como os diabos.

No total... sinto-me vazia. Esta vida de estudante acabou, e de vez. Sou realista, e por muito que adorasse continuar a estudar, e ainda que saiba que posso ir para mestrado, doutoramento, pós-doutoramento, e etc, sei que não vai ser o mesmo.

Haverá um marido, filhos, casa, contas. Haverá outra vida, que eu ambiciono muito... mas a verdade é que me custa desistir desta.

Bah, sei lá. Não liguem. Estou em estado pré-exame de piano, o que não é lá muito recomendável...

Vamos ver o que se passa amanhã... eu já não digo nada.



"Nosce te ipsum"

Rascunhos antigos