Amor eterno...

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segunda-feira, julho 19, 2010

Agradecimentos

Lembram-se disto?

Como já todos sabem, acabei na 4f a minha licenciatura. No entanto, antes de contar a história da "menina que sonhava com pianos" (para tentar ter tanto sucesso como o Stieg Larson), acho que é fundamental agradecer publicamente a umas quantas pessoas que sempre lá estiveram para mim no matter what...

Foi uma experiência bastante difícil tirar esta licenciatura como trabalhadora estudante. Como eu costumava dizer, morava numa cidade, estudava a 300 km de distância, trabalhava noutra vila e ainda ia almoçar a um quarto destino. Não foi fácil, e foram 3 anos de muita luta.

Muitas vezes pensei em desistir. Não sou feita de ferro... por muito que quisesse, não sou a super mulher, e fazer tanta coisa ao mesmo tempo cansa. Quando nos levantamos às 7 da manhã e só conseguimos pegar no instrumento às 18h... acreditem que não é fácil ter cabeça para pegar com o respeito devido em Brahms, ou Bach, ou Ligeti, ou Franck, ou Ravel, ou seja quem for...

O que quero agradecer, e a quem quero agradecer aqui, é a todos aqueles que ao longo de 3 anos tornaram o sonho possível... e espero não me esquecer de ninguém... se o fizer, é pelo meu estado de cansaço e não por mal, acreditem.

  1. À minha querida, queridíssima, amadíssima e mais que fundamental Nai. Mãe, palavras não são precisas, e o teu ombro esteve sempre lá quando eu chorava desesperada, acreditando que não ia ser capaz. Tu me deste, como sempre ao longo de 25 anos e meio, força e capacidade de acreditar. E quando estava mais difícil, uma "bofetada psicológica" resolve muita coisa, e sem ti eu nunca teria conseguido esta segunda licenciatura. Torna-se difícil escrever num blog seguido por 49 pessoas tudo aquilo que te quero dizer, mas tu sabes o que é. Amo-te, és o pilar da minha vida, sempre me ensinaste a seguir os meus sonhos, sempre me ensinaste a ser íntegra, honesta, lutadora, estudiosa, honrada. Sem ti, Mãe, não seria um décimo da Mulher que sou hoje... que esta minha segunda licenciatura seja a ti dedicada de alma e coração é algo que tu nunca deves duvidar. Sem ti, ela não teria sido possível. Obrigada Mãe. Obrigada por me teres trazido a este mundo sabe Deus como, obrigada por teres estado sempre lá para mim, e obrigada por seres o meu pilar, sem o qual não sei sobreviver.
  2. Ao meu pai. Que se chama Mateus. Pai não é quem faz, meus amigos. Pai é quem, como o meu, me vai ver ao quarto quando eu tenho 12 anos e acordo aos gritos com um pesadelo e fica até às 4h da manhã ao meu lado, para me provar que não há nada errado no quarto, que ele não está cheio de aranhas. Pai é quem me leva ao cinema e apanha secas desgraçadas no carro enquanto eu vejo o filme. Pai é quem cria, quem se zanga quando na adolescência eu atravessava aquelas idades parvas em que achava que sabia tudo, Pai é quem ajuda a gerir o dinheiro, Pai é quem conversa connosco sobre como aparecem os bebés dos caezinhos quando nós temos apenas 10 anos, Pai é quem está sempre ao nosso lado, sorri, chora, e vive cada emoção nossa como se fosse dele. Sei que me aturaste muito... desde os meus 8 anos que lidas comigo, e eu tenho um feitiozinho do caneco... Por isso, Pai Mateus, esta licenciatura também te é dedicada porque sem ti ela também não teria sido possível... Amo-te!
  3. Macaquinha... que dizer de ti? És a minha irmã mais nova. Surgiste quando eu tinha 10 anos, e foste o meu nenuco vivo. Não sei como te consegui manter viva de todas as vezes que os pais te deixavam sozinha comigo. Dei-te banho, pus-te a bolsar, alimentei-te, mudei-te fraldas, adormeci-te, acordei-te, impliquei contigo, brinquei contigo... contigo cresci, e aprendi a ter paciência para certas atitudes pelas quais passei e que só quando te vi tê-las é que me apercebi que fazem parte do processo natural do crescimento... Hoje, para além de minha irmã, és uma das minhas melhores amigas. Posso conversar contigo de tudo. Sei que estás lá para mim quando estou com a neura, sabes que apenas preciso que estejas ao meu lado a ouvir-me enquanto choro baba e ranho sem que digas nada, e que depois me vás fazer o lanche enquanto eu adormeço, e depois tens de me acordar, e depois adormeço enquanto como o lanche que me fizeste com tanto amor, simplesmente porque estou esgotada... amo-te, maninha, macaquinha, pirralhinha, coisa feia e pequenita, amo-te muito, não há irmã que te ame mais que eu. E no final, quantas vezes te cravei para me ires virar páginas, ouvires o programa, dares opiniões, fazeres-me falar enquanto tocava coisas que tinham que estar mecanizadas para sairem bem... muito obrigada, J., porque sem ti, este sonho não teria sido possível.
  4. Amor... meu amor, meu namorado, meu noivo, meu marido, futuro pai dos meus filhos e guitarrista brilhante que és. Tu és aquele que sabe quando não dizer nada. Quando nem refilar quando eu começo a berrar porque simplesmente um cabelo não está onde devia. Tu és aquele que sabe quando preciso de um abraço, quando preciso que me acalmes, quando deves estar calado. És aquele que me ensina a converter as coisas em mp3 para eu poder por na net. És aquele a quem ligo, a dizer "eu nunca vou ser capaz" e tu me respondes, tal como a minha mãe, com uma "bofetada psicológica" que me faz re-assentar os pés na terra. Ouviste-me, criticaste-me positivamente, foste um músico e não um namorado ao meu lado, e isso fez-me crescer. És uma âncora à qual me agarro quando preciso, e sei que estarás sempre lá para mim. Desculpa o mau humor dos últimos dois meses... agora, tal como tu me dizias, tudo já passou e uma nova fase, de sonho, se abrirá para nós os dois. Obrigada por teres estado ao meu lado neste período tão complicado... Amo-te, E., muito muito muito, e tal como todas as outras pessoas a quem agradeci, sem ti, o sonho não teria passado disso mesmo. Um sonho.
  5. Não podia deixar de fora a minha tia, que foi minha avó, e a minha prima, que me aturaram todos os dias desde que comecei a trabalhar, e que me alimentaram, enchendo o prato até mais não, mesmo que eu não tivesse fome. Também vocês estiveram lá, e foram fundamentais para a concretização do meu sonho...
  6. Teresa Brandão e Mauro Dilema... os professores que me abriram novos horizontes e me mostraram novos caminhos, novas técnicas, e que sobretudo reconstruiram a minha auto-estima, que estava assim "um bocadinho" em baixo. Muito, muito, muito, muito, muito obrigada. Sem vocês teria sido praticamente (não, literalmente) impossível.
  7. A todos os meus amigos: Musicólogo, Joãozinho-quatro-oitavas, Aninhas-sopradora-do-pau-preto, Aninhas-violineira... Quantas conversas tive com vocês, quantas vezes me ouviram desabafar, quantos momentos excelentes levo de vocês agora que acabei Évora... As nossas conversas no msn, o trio maravilha por nós descortinado (benny, dudu, valley, ao qual ultimamente se acrescentou o bentas...)... vocês foram fundamentais, quando as coisas começaram a correr pior (e vocês sabem que é verdade), foi muito por vossa causa que eu fazia o esforço de ir a évora. Obrigada.
  8. Há-ao-cubo: obrigada pela aprendizagem que me proporcionaram. Finalmente consigo ter capacidade para descortinar quartos de tom!!! Ena ena ena!!! :p
  9. Por último, mas não sem a ENOOOOOOOORME importância que tem, a D. Fátima. Por tudo o que me aturou nestes 3 anos. Por todos os momentos de stress em que entrei na secretaria a chorar porque me expulsaram injustamente do auditório antes de um exame. Por todas as folhas de trabalhador estudante que me deu porque me esquecia de as imprimir em casa. Basicamente, obrigada por ser o pilar do Departamento... sem si, D. Fátima, aquilo caía... pode ter a certeza. E estou a dever-lhe uma flor. Nunca me esqueço das minhas dívidas. 
  10. A todos os leitores que me acompanham e que me desejaram sorte e força para o dia do exame. São "virtuais", não vos conheço... mas acreditem, em momentos de stress, qualquer força é bemvinda, qualquer força nos faz acreditar.

Obrigada mesmo a todos, e peço desculpa aos leitores por um post tão.... digno de um discurso dos Óscares, mas que raio de pessoa seria eu se não agradecesse publicamente a todos quanto me apoiaram, aturaram e ajudaram???




"Nosce te ipsum"

segunda-feira, maio 31, 2010

Do fim de semana (e da síndrome de segunda de manhã...)

Ui... Há tanto por contar!!! É que fins de semana como o que eu tive não há muitos, não. Foi espectacular.

Sim, sim, eu sei, é um post mete-nojo e tal e tal, mas aqui a Rita também tem direito aos seus momentos de "futilidade" e de registar para a posteridade o quanto este fim de semana a marcou. Quem não quiser ler.... ora bem, porta da rua serventia da casa! (neste caso, cruzinha branca em quadrado vermelho no canto superior da janela serventia do blog) :p

No Sábado tive uma sessão de estudo FAN-TÁS-TI-CA! Consegui estar 3 horas, mais coisa menos coisa, de roda de 3 nocturnos de Chopin. A sensação de estar a fazer música é algo incrível, e a sensação de estar a melhorar e me reconhecerem pela 2ª vez talento ainda melhor. Não me entendam mal, não me estou a gabar, quem me conhece sabe que eu sou tudo menos gabarolas, é algo que eu não suporto (e um dos maiores "corta-interesse" em qualquer tipo de pessoa); simplesmente, se lerem o meu blog para trás, vão perceber a minha paixão por piano, por música, por tocar, por me expressar. E durante muito tempo, ouvi sempre a mesma cantilena que não adianta reproduzir aqui. Começar agora a ouvir uma cantilena diferente é sem dúvida música para os meus ouvidos... sabe bem, e motiva ainda mais. Sinto-me com força para acabar isto, sei que vou acabar isto, sei que sou capaz. Ainda hoje o meu pai me dizia que eu não me dou conta das coisas que sou capaz de fazer, por estar a trabalhar a tempo inteiro e ainda assim tirar uma licenciatura sem deixar nada para trás e com as notas com que tenho estado a tirar (ainda na 5ª feira saiu mais um 17 na "rifa", a uma disciplina à qual nem sequer posso ir por não ter horário. Não fosse a minha vontade de estudar e a grande e preciosa ajuda das Aninhas e do Musicólogo, não sei como seria para ter apontamentos...). Eu não me sinto assim tão especial, a sério. Faço a minha obrigação. Trabalho para ganhar dinheiro. Pago para estudar, por isso tenho que estudar. Ponto. Não me parece uma equação difícil. E quando se gosta do que se estuda... nem que eu trabalhasse 12 horas por dia, sei que haveria de arranjar maneira de fazer isto que tanto gosto. Sinto-me determinada. O último exame é dia 14 de Julho. Aliás, os dois últimos exames, porque vou fazer Piano V e Piano VI no mesmo dia, para depois gozar umas merecidíssimas férias. Entrei na Universidade há 8 anos e ainda não parei. E não vou parar. O próximo passo há de ser mestrado, só que ainda não sei muito bem onde nem como. Mas hei de arranjar uma solução. Parar de estudar é que nunca. Fui, sou e serei estudante a vida inteira.

Ora bem, depois de um estudo fantástico, que me correu como há muito não me corria, tive uma tarde de sonho com o E.

Fomos ao Forum, lanchámos, fomos ao cinema (onde fomos atendidos por uma rapariga 5*, super simpática e boa onda, que se fartou de brincar connosco por sermos músicos... bem gostava de ser sempre atendida assim!!!! Gostava de saber o nome dela para poder deixar tipo uma notazinha aos patrões dela para que a aumentassem, foi mesmo altamente... sim, que as notas não podem ser só para reclamar de maus atendimentos! Quando uma pessoa faz um bom trabalho, também deve ser recompensada).

Fomos ver "Juventude em Revolta".













Confesso que não dava muito pelo filme, parecia-me apenas mais uma comédia de adolescentes.
Mas a partir do momento em que o rapaz de 16 anos cria um alter ego irritante e incendeia meia Berkeley só para poder estar com a rapariga.. bom, não vos digo nada. Valeu mesmo a pena e recomendo o filme a quem quiser dar umas boas gargalhadas!

Depois jantámos e ficámos quase duas horas simplesmente a apreciar o forum, a ver as pessoas, a conversar, ou a ouvir o silêncio um do outro... epá... sem palavras.

Quanto a domingo, não foi tão bom quanto o sábado por uma simples razão.

Fui com a minha família ao Teatro das Figuras, em Faro, ver a Companhia Nacional de Bailado numa homenagem aos Ballets Russos.

E aqui começa o engano... eu pensava que ia ver uma companhia russa de ballet, e não a Nacional de Bailado a homenagear os russos. Mas até aí tudo bem...

O problema é que a Companhia não estava no seu melhor. Os enganos eram visíveis até para quem pouco percebe de ballet. Para mim, não ajudou o facto de ser mais dança contemporânea do que propriamente ballet clássico, que é o que gosto. Mas até houve coisas interessantes.

O espectáculo durou cerca de 2h, com intervalo de 15 minutos.

Na primeira parte, um ballet com argumento, canto e música de Stravinsky, chamado "As Bodas". Numa palavra: SECA. Seca pela música, pelo canto que lembrava a agonia e pela própria coreografia. Numa boda deveria haver alegria, certo?... aparentemente não. E o que me entristeceu mais, por assim dizer, foi ver a companhia nacional toda dessincronizada. Foi mesmo pena. Reconheço que a coreografia era extremamente cansativa, e que era o 3º espectáculo deles, mas há erros que prejudicam a percepção final do público sobre o espectáculo apresentado, e para mim esse foi um deles; para já não falar de quando dois dançarinos solistas que deveriam fazer os movimentos exactamente iguais trocaram os passos todos e vai um para a esquerda, outro para a direita, depois o conjunto engana-se no número de saltos que têm que fazer... Decididamente a pior apresentação do espectáculo...

A segunda peça da primeira parte foi o que salvou tudo. "Prélude à l'aprés-midi d'un faune", Debussy.
Dois solistas em palco. Uma dança erótico-sexual, em que a pessoa se esquece que está a ver humanos. Os dançarinos era de uma leveza extraordinária, expressões faciais incríveis, fundidos totalmente com a música, era um todo. Música, dançarinos, o único adereço em cima de palco (um sofá) que parecia ser uma extensão dos próprios dançarinos... 10 estrelas sobre 10, sem dúvida absoluta. Uma agilidade, uma leveza, umas expressões, uns movimentos... fascinaram-me completamente, sem palavras. Seria preciso ver para entender.

Quanto à segunda parte, "A Sagração da Primavera" de Stravinsky. Também não me encantou. Foi uma primavera muito... "neutra". Homens e mulheres vestidos com os mesmos fatos cor de pele, pedras atiradas para o palco à mistura... ballet contemporâneo mas que não me fascinou. Nem um bocadinho.

Como eu já de mim não gosto muito de Stravinsky... só tenho a dizer que se soubesse ao que ia, não tinha ido. Ponto final. Salvou-se o Debussy (e eu que pensava que nunca mais conseguiria ouvir aquilo depois de Análise II... wrong, Rita, wrong!) de todo o espectáculo.

E agora perguntam vocês "então e no título da postagem falavas da síndrome de segunda de manhã?"

Sim...

É que ontem tive uma bruta de uma insónia, não conseguia adormecer, acordei a meio da noite e hoje estou sem energia para enfrentar uma semana de trabalho... ai ai...

Não há de ser nada!

Bem, desculpem lá este post longo, nem sei se o terão lido todo, mas pronto. Queria registar o quão fantástico este fim de semana foi. Por que não podem ser todos assim???




"Nosce te ipsum"

Rascunhos antigos